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Gabriela Brasil

13 de maio de 2025

Um olhar sobre a produtividade que buscamos

Quando o tempo vira pauta no mundo do trabalho
 Organização do Trabalho,  Semana de 4 Dias 
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Talvez já tenha acontecido com você, especialmente se ocupa um papel de gestão, liderança, ou simplesmente cuida de um espaço, de pessoas, de projetos. As cobranças por produtividade crescem, sem a gente nem saber ao certo o que essa produtividade significa.

Muito se fala em desenvolver times, tecnologias, processos. Mas o que tenho percebido, cada vez mais, nos meus caminhos como consultora, é que para transformar, a gente tem que engajar as pessoas com o trabalho. É quando nos envolvemos que percebemos o que precisa de cuidado, e é nesse cuidado que a evolução acontece.

Incorporar as pessoas ao trabalho de forma integral e significativa, passa por reconhecê-las como seres humanos completos e não como recursos, permitindo que se conectem genuinamente com suas responsabilidades e com a organização. Este envolvimento é fundamental para criar um ambiente de trabalho mais sustentável, onde as pessoas possam contribuir de maneira autêntica enquanto mantêm seu bem-estar.

Gosto muito da visão do Alex Pang. Ele me lembra constantemente que produtividade não pode ser um fim em si mesmo. Ele diz: “Quando a produtividade se torna um fim em si mesmo, torna-se um ideal inalcançável, sem um ponto final óbvio ou conclusão.”

Quando pensamos produtividade como um meio, e não um fim*,* estamos reconhecendo que o objetivo não é produzir mais a qualquer custo, mas sim criar condições para que o trabalho aconteça com mais clareza, presença e sentido. Tornar algo mais eficiente, como reuniões mais curtas, com agenda clara e propósito definido, é tornar esse ritual mais produtivo porque ele cumpre melhor a sua função e libera tempo e energia para outras atividades importantes.

Isso é diferente de medir produtividade apenas pela quantidade de entregas ou horas trabalhadas. Tenho visto a produtividade real nessa ideia de facilitação de fluxo, e diminuição da pressão. Quando colocamos foco no como, e não só no quanto, abrimos espaço para uma nova lógica de trabalho: mais sustentável e mais leve, com certeza.

Nos últimos cinco anos, tenho vivido na prática a experiência de uma semana de trabalho reduzida. E, nos dois últimos, mergulhei ainda mais fundo: acompanhando de perto empresas que decidiram repensar o tempo de forma estratégica, não apenas pelo lado financeiro, mas humano.

Quando se fala em “semana de 4 dias”, muita gente pensa em folga. Mas o que as empresas que se propõem a esse experimento descobrem é algo mais complexo:

  • Que produtividade não é sobre preencher horas, mas sobre presença.
  • Que flexibilidade real exige escuta e coragem para sair do molde.
  • Que uma liderança que não descansa, não autoriza ninguém a descansar. Mas que colaborador que se movimenta pra descansar tá no seu direito!
  • E que bem-estar não pode mais ser um bônus, mas um pilar.
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🎥 Assista aqui: Semana de 4 Dias: O que as empresas estão descobrindo ao implementar esse novo modelo

 

E ah! É importante não considerar produtividade como medida de valor pessoal. Como Alex também aponta, os famosos productivity hacks atribuem a culpa ao indivíduo, como se o fracasso fosse pessoal — enquanto ignoram que os verdadeiros gargalos são estruturais. Segundo Pang, “Isso absolve os verdadeiros culpados – os sistemas em que trabalhamos.”

Essa crítica vale ouro para quem trabalha com criatividade, com cuidado, com serviços. Em muitos contextos, produtividade virou um sinônimo vazio de “coisa boa” ou, pior, uma ilusão. E o alerta mais bonito de Alex é esse:

“Ação coletiva é a forma mais potente de autocuidado.”

 

Isso tem me atravessado muito. Porque a produtividade ressignificada passa, necessariamente, por uma transformação no uso do tempo. Modelos que nos permitam outros tempos de ser são essenciais, não só para nosso bem-estar, mas para a sustentabilidade da vida.

Quando o tempo vira pauta no mundo do trabalho, vemos cada vez mais manchetes sobre redução da jornada e políticas de flexibilidade. Iniciativas que antes pareciam utópicas agora ganham força. São governos, empresas e movimentos sociais dizendo: precisamos de outra lógica. Uma lógica que reconheça os limites do corpo, da mente, e o valor do tempo livre. Não como luxo, mas como direito.

Um anúncio de vaga em filial do McDonald’s destacando a escala 5×2 já é de alguma forma um avanço. Quem conhece a realidade do trabalho em restaurantes no Brasil sabe: a regra ainda é o 6×1. Seis dias de trabalho para um único de descanso. Jornadas longas, poucas pausas, e pouco — ou nenhum — espaço para o descanso real. Esse modelo revela a realidade dura da base do mercado de trabalho. Fico pensando: o que poder mudar quando o tempo dessas pessoas também é pauta?

Em entrevista recente ao The Tonight Show, Bill Gates afirmou que, com o avanço da Inteligência Artificial, poderemos trabalhar apenas 2 ou 3 dias por semana dentro de uma década. Segundo ele, muitos trabalhos deixarão de exigir presença humana, o que nos colocará para repensar o tempo.

Sigo confiando que é no tempo de brincar, descansar, celebrar, contemplar e se relacionar que nos reconectamos com o natural, com o humano, com o cíclico que existe em nós.

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🎥 Assista aqui: O Mundo do Trabalho Está Mudando: E as Empresas Estão se Adaptando?

Gabriela Brasil

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